21.ª Queima do Judas
Em 2026, a Queima do Judas em Vila do Conde assinala a sua 21.ª edição, dando continuidade a mais de duas décadas de afirmação como um dos eventos culturais mais representativos da cidade e um exemplo nacional de reinvenção artística das tradições populares portuguesas. Com o tema “Isabel Lhano: Elogio do Essencial”, esta edição presta homenagem à pintora vilacondense cuja obra, marcada por uma vibrante sensibilidade cromática e por um imaginário profundamente enraizado na identidade local, serve de inspiração para todas as atividades deste ano. Para reforçar esta ligação, serão revisitados elementos plásticos característicos da artista, integrando referências estéticas, visuais e conceptuais que dialogam com o seu vasto percurso criativo.
O espetáculo, previsto para o dia 4 de abril de 2026, irá articular momentos performativos que cruzam instalação artística, música ao vivo, movimento e criação teatral e circense, inspirados tanto na iconografia da artista como nas histórias e experiências recolhidas durante os laboratórios com a comunidade. A construção visual desta edição beneficiará de um forte investimento em cenografia e elementos multimédia, incorporando projeções, ilustrações e composições cromáticas evocativas do trabalho da pintora, proporcionando ao público uma experiência sensorial profunda e imersiva.
A Direção Artística da Queima do Judas 2026 é da responsabilidade do Diretor Artístico Pedro Correia, a quem compete definir a visão global do projeto e assegurar a coerência conceptual, estética e performativa desta edição. Cabe-lhe a tomada de todas as decisões artísticas, incluindo a definição do tema, a conceção do espetáculo, a articulação das diferentes linguagens artísticas e a orientação dos processos de criação.
A participação da comunidade, das associações locais e dos artistas convidados integra-se neste enquadramento, contribuindo de forma ativa para o desenvolvimento do projeto. Esses contributos são acompanhados, orientados e integrados pelo Diretor Artístico, garantindo que o processo colaborativo converge numa obra final com identidade, rigor e unidade.
Este modelo de funcionamento assegura o equilíbrio entre participação comunitária e responsabilidade artística, preservando a integridade do projeto e a qualidade da criação apresentada ao público.
ISABEL LHANO: ELOGIO DO ESSENCIAL
Em 2026, prestamos homenagem à pintora vilacondense Isabel Lhano, cuja obra vibrante, profundamente ligada ao território, inspira a programação desta celebração. Para assinalar esta edição especial, apresentamos um conjunto de iniciativas que reforçam a ligação entre arte, comunidade e memória coletiva.
Dando continuidade ao sucesso da edição anterior, retomaremos o concerto dos “Queimados”, cuja primeira apresentação esgotou a sala e revelou a forte ligação do público às composições criadas ao longo das várias edições da Queima do Judas. Paralelamente, propomos uma conversa aberta sobre a vida e obra de Isabel Lhano, reunindo personalidades como valter hugo mãe, Luís Lhano e Paulo Vasques, entre outros convidados com vínculo pessoal ou artístico à pintora. Este momento de partilha pretende aprofundar o conhecimento sobre a artista e destacar a relevância do seu contributo para as artes visuais, enriquecendo o olhar do público sobre o tema central da edição.
Como gesto simbólico e comunitário, será criado um mural de homenagem pintado pela comunidade, orientado por artistas convidados. Esta ação participativa reforça o papel da arte como espaço de encontro, envolvimento e expressão coletiva, promovendo a integração social e cultural através da criação partilhada.
Queima do Judas
Queima do Judas assenta num processo de criação artística com base na investigação, na formação e na experimentação (dramatúrgica, coreográfica, musical, visual e cenográfica), no sentido de apresentar ao público um conjunto de actividades que passam pela intervenção urbana, formação, conferências e um espectáculo com unitário de rua multidisciplinar.
A Queima do Judas é um acontecimento anual, que se realiza no chamado Sábado de Aleluia, anterior ao Domingo de Páscoa. Trata-se de uma tradição popular, baseada numa provável punição para a traição de Judas Iscariotes a Jesus de Nazaré, em troca de 30 moedas de ouro. A coincidência temporal desta celebração com a chegada da Primavera levou a uma sobreposição de datas que ao longo dos tempos se traduziu na imolação de personagens odiosas, que em linguagem pagã significava o mesmo que terminar com o Inverno, o período negro, escuro, associado aos “males” da sociedade, frio e pobre.
O projecto da “Queima do Judas” em Vila do Conde propõe-se reunir um vasto conjunto de entidades e pessoas ao nível local, regional e nacional para a realização de um evento multicultural que recupera esta tradição. É um evento artístico multidisciplinar que tem vindo a ganhar crescente expressão nos últimos anos e que envolve, na sua produção e criação, centenas de pessoas do movimento artístico e associativo da cidade de Vila do Conde. Nesse momento único de celebração do sagrado e do profano, de humor ironia e sátira, confluem áreas artísticas tão diversas como o teatro, o circo, a dança, as artes plásticas, a música, a imagem vídeo e a fotografia. A Nuvem Voadora Associação Cultural organiza, consecutivamente, a QUEIMA DO JUDAS desde 2005. O evento conta com a participação de inúmeras entidades e colaboradores, tendo o alto patrocínio da Câmara Municipal de Vila de Conde.